A Associação Nacional de Jornais (ANJ) aderiu de forma institucional à Iniciativa de Autenticidade de Conteúdo (CAI, em inglês), uma comunidade global de empresas de tecnologia, meios de comunicação e organizações não-governamentais (ONGs) que garante a autenticidade do conteúdo audiovisual por meio de um protocolo de segurança criptografado como combate à desinformação, sobretudo as deepfakes.

Inicialmente promovido a partir de serviços e tecnologia da Adobe e do Sistema Operacional Linux, a CAI conta atualmente com cerca de 800 membros em todo o mundo, incluindo as principais agências internacionais de notícias e grandes empresas digitais.

O projeto promove um padrão de código aberto que aplica um selo de certificação às informações de origem e atribuição (metadados) e também registra qualquer modificação feita na fotografia ou vídeo, em um futuro próximo.

O sistema, baseado em métodos criptográficos, permite visualizar o histórico do conteúdo e verificar se o conteúdo sofreu alguma alteração, preservando a privacidade e a segurança dos autores das imagens.

“Damos as boas-vindas à ANJ. O Brasil, como país, tem uma das maiores populações de usuários de internet do mundo, e só por isso é muito importante que a ANJ tenha decidido aderir à CAI”, disse Santiago Lyon, chefe de divulgação e educação da CAI.

“Mas também é importante porque a desinformação tem sido um grande problema no Brasil, como em outros lugares, e acreditamos que o padrão de código aberto da CAI para proveniência de conteúdo tornará mais fácil para o público da internet tomar decisões sobre qual conteúdo digital é confiável”, completou Lyon.

O padrão CAI, segundo o executivo, é aplicado a todos os conteúdos digitais, fotos, vídeos, gravações de som e documentos. “Em todos os casos, ele informa ao usuário quando, onde e por quem o conteúdo foi capturado ou gravado e, em seguida, rastreia as alterações no arquivo original”, disse. “Todas essas informações são disponibilizadas ao público em um formato amigável, para que ele possa tomar sua decisão sobre a autenticidade do conteúdo.”

“A ANJ apoia e se associa às iniciativas que reconhecidamente combatem a desinformação, incluindo as que, como a CAI, fazem uso de tecnologia para tanto, garantindo o direito à informação verídica”, disse o presidente-executivo da ANJ, o jornalista Marcelo Rech. “A ANJ estimula que seus associados também venham a aderir a iniciativa”. A adesão à CAI é gratuita.