Empresas do conglomerado de imprensa serão remuneradas para fornecer notícias para o serviço News, da rede social

AFP

CANBERRA – O conglomerado de mídia News Corp, do empresário Rupert Murdoch, anunciou nesta terça-feira que alcançou um acordo de três anos com o Facebook na Austrália sobre pagamento por notícias postadas na rede social, após a aprovação de uma lei que obriga os gigantes da internet a remunerar a imprensa australiana.

O acordo, cujos termos financeiros não foram revelados, estabelece que as empresas que pertencem à News Corp proporcionarão conteúdos de notícias ao serviço News do Facebook, que pagará para exibir as notícias.

O acordo ocorre no momento em que os países, cada vez mais, discutem enquadrar as big techs na legislação antitruste. O exemplo da Austrália, o primeiro a fazer isso, teve repercussão global, e vários governos estudam adotar medidas semelhantes.

Nos Estados Unidos, onde o Congresso tem discutido como reduzir o poder das big techs, o Facebook revelou nesta terça-feira que vai lançar uma plataforma para jornalistas independentes ampliarem sua audiência por meio de newsletters.

A plataforma, que permitirá a cobrança de assinaturas, será integrada ao Facebook Pages.

O Facebook se comprometeu no mês passado em investir pelo menos US$ 1 bilhão na indústria de jornalismo nos próximos três anos.

Bloqueio antes de lei

Na Austrália, foi a News Corp, de acordo com a BBC, que liderou o lobby para que os políticos obrigassem as gigantes de tecnologia a pagar por conteúdo noticioso que exibem em seus ambientes.

O acordo plurianual inclui o conteúdo de notícias dos principais veículos conservadores da mídia de Murdoch como o The Australian, um jornal nacional, e o site de notícias news.com.au, bem como outras publicações metropolitanas, regionais e comunitárias, segundo o New York Times.

Anteriormente, o grupo fechou parceria semelhante com o Google, da Alphabet.

Este acordo também será aplicado a dezenas de empresas de comunicação na Austrália, incluindo o jornal The Australian, o Daily Telegraph de Sydney e o Herald Sun de Melbourne.

O canal Sky News Australia também concluiu um novo acordo com o Facebook.

O Facebook bloqueou em fevereiro o acesso às notícias para os usuários na Austrália em resposta à lei que regulamenta as relações entre a mídia tradicional e as grandes empresas de tecnologia.

A medida provocou indignação na Austrália, depois que as páginas do Facebook dos serviços de emergência, organismos de saúde e associações de caridade também foram afetadas pelo bloqueio.

O Facebook retirou o bloqueio e aceitou negociar acordos financeiros com os grupos de imprensa australianos, o que levou o governo a flexibilizar a legislação.

Debate global

Robert Thomson, diretor geral da News Corp, afirmou em um comunicado que o acordo do grupo com o Facebook é um “acontecimento importante e terá um grande impacto em nossas empresas de imprensa australianas”.

Os líderes da News Corp, acrescentou Thomson, “lideraram um debate global” enquanto a ascensão dos gigantes digitais empobrecia a indústria de notícias. Com o acordo, disse ele, o presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, e sua equipe ajudaram a “moldar um futuro para o jornalismo, que está sob extrema pressão”.

Andrew Hunter, diretor do Facebook para os acordos com a imprensa na Austrália e Nova Zelândia, confirmou o acordo e declarou que o grupo se “comprometeu a fornecer o Facebook News à Austrália”.

Segundo ele, o acordo significa que os 17 milhões de usuários do Facebook no país “terão acesso a artigos de notícias premium e vídeos de notícias de última hora da rede da News Corp de redações nacionais, metropolitanas, rurais e suburbanas”.

Facebook e Google, os dois gigantes americanos da tecnologia, afetados pela legislação australiana, resistiram às cláusulas que os obrigavam a aceitar uma arbitragem sobre as quantias que deveriam pagar à mídia local para publicar informações australianas em suas plataformas e em seus resultados de busca.

O Google negociou acordos de licença de milhões de dólares por seu produto Showcase com uma série de empresas australianas, entre elas os dois maiores grupos de imprensa do país, News Corp e Nine Entertainment.

O governo australiano aceitou flexibilizar as condições legais da arbitragem caso os gigantes da internet assinassem acordos com as empresas de comunicação locais.