O GLOBO

Com a pandemia de coronavírus e uma das mais disputadas eleições da História americana, o New York Times viu, pela primeira vez, suas receitas com assinaturas digitais superarem as do jornal impresso. A receita de produtos digitais cresceu 34%, para US$ 155,3 milhões, enquanto as do impresso caíram 3,8%, para US$ 145,7 milhões.

Ao divulgar ontem seu balanço do terceiro trimestre, o NYT informou um crescimento de 393 mil, no número de assinaturas digitais no período, ante o trimestre anterior. No total, são cerca de 6,9 milhões de assinaturas, sendo que, em outubro, o jornal passou a marca dos 7 milhões.

“Pelo segundo trimestre seguido, o faturamento digital total superou as receitas do impresso. E, pela primeira vez, as receitas das assinaturas somente digitais superaram as das assinaturas do impresso”, afirmou a presidente e diretora executiva do jornal, Meredith Levien, em comunicado, acrescentando que as assinaturas digitais foram o “principal motor de crescimento” e estão no caminho de se tornarem a principal fonte de receita.

Após um segundo trimestre dominado pela pandemia de coronavírus e pela desaceleração da publicidade, o NYT já havia reportado, em 5 de agosto, pela primeira vez, uma receita trimestral puxada mais por seus produtos digitais do que pelo jornal impresso. Agora, foi a receita com assinaturas digitais que superou a com assinantes do impresso.

Apesar do aumento expressivo no número de assinaturas, o faturamento do NYT no terceiro trimestre foi 0,4% menor que no mesmo período de 2019, em US$ 426,9 milhões. Mas ficou acima das projeções de analistas, de US$ 411,8 milhões, segundo dados da Refinitiv.

As receitas com assinaturas cresceram 12,6%, para US$ 301 milhões, mas aquelas com publicidade caíram 30,2%, para US$ 79,3 milhões.

Mas com menos custos, a empresa conseguiu aumentar o lucro operacional em 28%, para US$ 56,5 milhões, e dobrar o lucro líquido para US$ 33,6 milhões.

Apesar do bom desempenho, as ações da companhia fecharam em queda de 5,33%, devido às perspectivas para o ano que vem.

Na conferência com investidores após a divulgação do balanço, Meredith disse que 2020 tem sido um “ano sem precedentes” para o avanço das assinaturas digitais, mas ressaltou que esses resultados não devem se repetir:

— Não acho que vocês devem esperar que o patamar de 2020 se repita, dada a natureza extraordinária do ciclo de notícias — afirmou, acrescentando que, só na quarta-feira após as eleições, o jornal registrou 120 milhões de leitores em seu site.

Para o trimestre corrente, a empresa prevê crescimento de 14% nas receitas totais com assinaturas — sendo 35% só nas digitais — e novo tombo na casa dos 30% no faturamento com publicidade, em relação a 2019.