Os editores de notícias estão fazendo cada vez mais uso de algoritmos para impulsionar o engajamento, as assinaturas e a receita com anúncios.
A editora regional holandesa NDC, por exemplo, planeja cobrir todos os jogos locais de futebol durante toda a temporada. São 60 mil jogos, um compromisso muito além da capacidade da redação e algo que ninguém mais no país tentou. A editora alcançará essa façanha com a ajuda do jornalismo de robôs e do crowdsourcing.
Os relatórios das partidas serão gerados com a ajuda de um software de inteligência artificial que combina o Natural Language Generation (NLG) com fontes de dados estruturados regularmente publicadas. Fotos e comentários dos treinadores serão coletados por meio de uma plataforma de crowdsourcing, escreve Faisal Kalim no site WNIP.
“Graças ao jornalismo automatizado, podemos escrever sobre cada jogo de futebol local, cobertura que não é fornecida por ninguém”, diz Ard Boer, gerente de projetos esportivos da NDC. “Isso, combinado com o elemento de crowdsourcing, impulsionará a inclusão e o envolvimento nas comunidades esportivas locais e, por extensão, criará valor em nossa marca de notícias”.
O jornal regional norueguês Bergens Tidende, da Schibsted, também usa conteúdo automatizado para gerar receita. Criou uma vertical de vendas de casas preenchida inteiramente com conteúdo imobiliário gerado por robôs. Segundo a empresa, 12 mil artigos automatizados foram publicados em um ano desde o lançamento no verão de 2020, gerando de 3 mil a 4 mil visualizações de página por dia. Os textos automatizados geram 5% do total de conversões novos leitores pagantes.
A automação também permite que os editores deixem seus jornalistas se concentrarem mais na criação de conteúdo de alta qualidade que as máquinas não conseguem.