O escritório da organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) para a América Latina lançou, com o apoio do Fundo Canadá para Iniciativas Locais (FCIL) no Brasil, um projeto destinado a identificar, analisar, decifrar e denunciar ataques online contra jornalistas e comunicadores/as durante o processo eleitoral deste ano.

A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo, centro de pesquisa de referência especializado em análise de redes sociais e tendências digitais.

Até o final do segundo turno, em 30 de outubro, mais de cem contas, no Twitter e no Facebook, de jornalistas, influenciadores, autoridades públicas e candidatos às eleições, tanto em nível federal quanto estadual, serão monitoradas diariamente. Também serão examinados termos considerados como discursos estigmatizantes, ofensas e insultos recorrentemente utilizados nas redes para atacar jornalistas e a imprensa de modo geral.

Os resultados deste trabalho serão compilados e publicados periodicamente, ao longo da campanha, no site da RSF. Um relatório detalhado sistematizando as principais tendências e ataques observados durante o projeto de pesquisa também será publicado ao final do processo eleitoral. O objetivo do projeto é melhor compreender a origem, estrutura e organização da disseminação dos ataques online, denunciar os principais autores dessas agressões e encontrar soluções eficazes e duradouras para combater o fenômeno.

“Uma análise aprofundada e um monitoramento sistemático dos ataques online contra a imprensa é fundamental para entender melhor o papel do espaço digital no cenário estrutural da violência contra jornalistas e comunicadores no Brasil e pensar em soluções mais efetivas para combater esse fenômeno”, disse Emmanuel Colombié, diretor do escritório da RSF para a América Latina.

Nos últimos anos, e principalmente desde que o presidente Bolsonaro foi eleito em 2018, os casos de ataques online contra jornalistas se multiplicaram e se intensificaram no Brasil, gerando censura e autocensura.

Em 2021, a RSF publicou um estudo sobre o comportamento dos usuários do Twitter – onde se concentra a maioria dos ataques contra meios de comunicação e jornalistas no país – revelando, sobretudo, que os apoiadores do governo Bolsonaro são os principais autores desses ataques, e que os principais grupos de mídia críticos ao governo e as mulheres jornalistas são os principais alvos.